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28/05/2024 às 07h58min - Atualizada em 28/05/2024 às 07h58min

G7 dos partidos domina disputa a prefeituras e Congresso e mira 2026

Com 80% do Congresso e mais de 70% das verbas eleitorais, siglas dão as cartas nas eleições municipais e nas da Câmara e Senado

Folha De São Paulo - Folha de São Paulo
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/05/g7-dos-partidos-domina-disputa-a-prefeituras-e-congresso-e-mira-2026.shtml
Folha de São Paulo

fonte Ranier Bragon Gustavo Queirolo Brasília e São Paulo

O Brasil tem atualmente 29 partidos, mas um grupo de sete legendas domina o cenário político nacional e é, por ora, quem dá as cartas nas principais disputas no radar: as eleições de outubro para prefeitos e vereadores, a de fevereiro de 2025 para a troca do comando de Câmara dos Deputados e Senado e a de 2026 para presidente, Congresso Nacional, governadores e Assembleias Legislativas.

Esse G7 concentra 80% das cadeiras do Congresso, 70% dos governos estaduais e das bilionárias verbas eleitorais, além de ser maioria também em prefeituras, câmaras municipais e Assembleias Legislativas. Puxam esse grupo o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro —que tem a maior bancada de deputados federais e mira a filiação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)— e o PT do presidente Lula.

Logo depois estão cinco partidos de centro, centro-direita e direita —o que inclui o centrão— e que têm dominado nos últimos anos tanto as eleições municipais como o comando do Congresso. São eles União Brasil, PSD, MDB, PP e Republicanos. A União Brasil, resultado da fusão do DEM com o PSL, é favorita para voltar ao comando do Senado com Davi Alcolumbre (AP) em 2025 e também está na disputa pela presidência da Câmara, com Elmar Nascimento (BA).

O PSD comanda hoje o Senado, com Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tem a maior bancada (15 das 81 cadeiras) e também está na disputa pela presidência da Câmara no próximo ano, com Antonio Brito (BA). O partido de Gilberto Kassab foi o terceiro no ranking de prefeitos eleitos em 2020, mas, devido ao troca-troca partidário, superou o MDB e se tornou em 2024 o partido com maior número de chefes de Executivo municipal no país, com mais de mil filiados.

Já o MDB foi o que mais elegeu chefes de executivos municipais e vereadores há quatro anos. Desde os anos 1980 até 2018, comandou o Senado praticamente de forma ininterrupta, por mais de 30 anos. Tem Isnaldo Bulhões Jr. (AL) como pré-candidato a presidente da Câmara, mas ele não está entre os favoritos por enquanto. O PP está desde 2021 na chefia da Casa com Arthur Lira (AL), e obteve a segunda posição no ranking de prefeitos e vereadores eleitos em 2020.

A médio prazo, o partido buscará apoiar nomes na chefia do Congresso que não tragam tantos problemas ao governo e, como objetivo maior, tentará manter um arco de aliança e uma força mínima no Congresso que dê suporte à possível tentativa de reeleger Lula em 2026. Já o PL vê Bolsonaro inelegível, embora aliados almejem a reversão desse obstáculo, a depender dos ventos políticos futuros. Caso isso não ocorra, a aposta maior em 2026 para concorrer com Lula permanece sendo Tarcísio. "Ele vai para o PL, está decidido, mas irá no tempo dele. Eu acho que será antes das eleições municipais, mas, se vier depois, não há o menor problema", diz o líder da bancada do PL na Câmara, Altineu Côrtes (RJ).

No Republicanos, a saída de Tarcísio é vista com bons olhos nos bastidores, já que tiraria do caminho um dos entraves ao apoio governista a Marcos Pereira na Câmara. Embora disputas municipais exerçam alguma influência nos resultados das eleições gerais de dois anos depois, é impossível cravar prognósticos, como mostra a história. Em 2000, por exemplo, o PT emplacou Marta Suplicy no comando da maior cidade do país, São Paulo, e em outras cinco capitais, sendo o principal vencedor daquela disputa, em contraste com o esvaziamento de aliados do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Dois anos depois, Lula obteria nas urnas o direito de chegar pela primeira vez ao Palácio do Planalto.

Em 2004, porém, o PT perderia espaço nas grandes cidades —Marta não conseguiu se reeleger—, e o PSDB conseguiria o comando da capital paulista pela primeira vez. Isso não impediu Lula de obter o segundo mandato, derrotando novamente os tucanos, dois anos mais tarde. Mais recentemente, o pleito de 2016 pode ser tomado como exemplo pelos que não veem reflexo entre uma eleição e outra e pelos contrários, ou seja, os que enxergam relação. Naquele ano, o PT vinha na esteira do impeachment de Dilma Rousseff e foi o maior derrotado. O prefeito Fernando Haddad foi batido por João Doria (PSDB) no primeiro turno, feito inédito. Fiador da campanha tucana, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) via fortalecida sua candidatura à Presidência.

A onda que varreu as eleições de 2018, porém, deu o posto a Jair Bolsonaro (então no PSL) e deixou Alckmin em um humilhante quarto lugar, com 4,76% dos votos, o pior resultado da história do partido. O PT também saiu derrotado, embora tenha conseguido ir para o segundo turno, com Haddad. Apesar disso, 2016 já dava sinais de uma onda antipolítica e populista que se mostraria em sua plenitude em 2018. Além da vitória do ex-empresário Doria em São Paulo, o cartola de futebol Alexandre Kalil (PHS), em Belo Horizonte, e o pastor Marcelo Crivella (PRB), no Rio, também saíram vitoriosos. Vários políticos que estavam no poder em importantes capitais e cidades não conseguiram manter a cadeira.

A essa cifra se soma ainda o controle das emendas parlamentares, que, por pressão dos partidos de centro e de direita no Congresso, atingiram neste ano o recorde de cerca de R$ 50 bilhões. As emendas são direcionadas na quase totalidade para obras e investimentos nos redutos eleitorais dos congressistas, o que é capitalizado não só por eles, mas principalmente pelos prefeitos e vereadores aliados. Além de ter no bolso a chave do cofre, o controle pelo G7 da maior parte da máquina municipal é outro trunfo para repetir o bom desempenho nas eleições de outubro, já que tentarão a reeleição na cadeira de prefeito ou vereador. A força no Congresso Nacional, nas prefeituras e nas Câmaras municipais se reflete também nos governos estaduais e nas Assembleias Legislativas. O G7 ocupa cerca de 70% desse espaço.

Os outros 22 partidos brasileiros se dividem entre médios, pequenos e nanicos. Nesse aglomerado, chama a atenção a presença do PSDB, partido que governou o Brasil de 1995 a 2002, teve papel de destaque no Congresso e governou São Paulo por quase três décadas, mas que teve em 2022 o pior resultado eleitoral de sua história. Os tucanos se uniram em federação ao Cidadania, tendo hoje 17 cadeiras na Câmara e apenas 1 senador. Apesar disso, mantêm-se entre os grandes quando se trata de governadores —três— e prefeitos eleitos em 2020.

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